Saturday, November 21, 2009

Ventos de Mudança

O mundo está a mudar e não para melhor. Há uma brisa no ar que já cheirei na minha juventude, as mudanças desta vez serão igualmente radicais e súbitas. Não que acredite em oráculos nem pertença aos que gostam das teorias de conspiração, não, é mais um instinto que me leva a pensar isto... ou talvez sentir isto. Como eterno optimista acho que a mudança será (devia ser, né) positiva e assegurará aos nossos filhos a possibilidade de construir um futuro mais prometedor e fértil, mais pacífico e justo. Mas os sinais são terríveis, as espectativas desastrosas e o trabalho de quem "lidera o destino" do mundo concentra-se mais em perpetuar o status quo do que em mudar, na mudança. Gosto desta palavra - já o Sá Carneiro (o do PPD, claro), também gostava dela. Lagarto lagarto, eu nem a cem léguas simpatizo com tal agrupamento político, bem mais à esquerda me situo. Mas acho a palavra, como ele também achava, a palavra mudança, importante, determinante, bonita, cheia de significados: promessa, visão, desafio, fascínio. Não foi o desejo de mudança que levou a quatorze de abril Hoji ya Henda ao martírio? Não foi Nkrumah que justamente constatou "preferimos governar-nos perigosamente a ser governados tranquilamente"? O que buscavam eles senão mudança? Mudança premeditada, mudança capaz de compreender o desejo de mudar, o porquê envolver-nos nela...
O mundo está a mudar... ele muda sempre e a qualquer hora. Devo dizer: o mundo dos Homens está a mudar. O planeta muda com ou sem ele, nós só podemos mudar em nós e para ele, com ele, em sentido único. Pois ora, mudemos nós com ele para nós!
Mas não, a mudança será dolorosa, o caminho será longo até termos a capacidade de optar numa mudança planetária...

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