Wednesday, November 04, 2009

«Em "A Jangada de Pedra" (...) o escritor recorre a um estratagema típico. Uma série de acontecimentos sobrenaturais culmina na separação da Península Ibérica que começa a vogar no Atlântico, inicialmente em direcção aos Açores. A situação criada por Saramago dá-lhe um sem-número de oportunidades para, no seu estilo muito pessoal, tecer comentários sobre as grandezas e pequenezas da vida, ironizar sobre as autoridades e os políticos e, talvez muito especialmente, com os actores dos jogos de poder na alta política. O engenho de Saramago está ao serviço da sabedoria.» (Real Academia Sueca, 8 de Outubro de 1998)


Saramago é conhecido por utilizar frases e períodos compridos, usando a pontuação de uma maneira não convencional. Os diálogos das personagens são inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, de forma que não existem travessões nos seus livros: este tipo de marcação das falas propicia uma forte sensação de fluxo de consciência, a ponto do leitor chegar a confundir-se se um certo diálogo foi real ou apenas um pensamento. Muitas das suas frases (i.e. orações) ocupam mais de uma página, usando vírgulas onde a maioria dos escritores usaria pontos finais. Da mesma forma, muitos dos seus parágrafos ocupariam capítulos inteiros de outros autores. Apesar disso o seu estilo não torna a leitura mais difícil, se os seus leitores se habituarem facilmente ao seu ritmo próprio.

Estas características tornam o estilo de Saramago único na literatura contemporânea: é considerado por muitos críticos um mestre no tratamento da língua portuguesa. Em 2003, o crítico norte-americano Harold Bloom, no seu livro Genius: A Mosaic of One Hundred Exemplary Creative Minds ("Génio: Um Mosaico de Cem Exemplares Mentes Criativas"), considerou José Saramago "o mais talentoso romancista vivo nos dias de hoje" (tradução livre de the most gifted novelist alive in the world today), referindo-se a ele como "o Mestre". Declarou ainda que Saramago é "um dos últimos titãs de um género literário que se está a desvanecer".




Wie kaum einem anderen Schriftsteller gelingt es Saramago, das Denken in Metaphern aufgehen zu lassen und Vieldeutiges in einprägsamen Bildern zu veranschaulichen. Seine Sprache ist nicht nur bilderreich, sondern auch barock verschnörkelt und orientalisch ausschweifend; sie klingt zumindest über weite Strecken wie ein vergnüglicher mündlicher Vortrag.

Das steinerne Floß
Unvermittelt bricht die Iberische Halbinsel vom Kontinent ab und treibt in den Atlantik hinaus. "Das steinerne Floß" handelt von der Reise einiger Menschen aus Spanien und Portugal zueinander, miteinander und zu sich selbst. Der Roman ist aber auch eine Gesellschaftssatire, in der die hohlen und verlogenen Reaktionen von Politikern ebenso ironisch kritisiert werden wie der Egoismus und die soziale Verantwortungslosigkeit der Eliten und der privilegierten Schichten.

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